21 a 24 de setembro de 2026

UFMG BELO HORIZONTE MG

Epistemologias do singular-plural: o campo (auto)biográfico no antropoceno

O Congresso Internacional de Pesquisa (Auto)Biográfica (CIPA) é um fórum internacional de debates em Educação sobre pesquisas realizadas com narrativas biográficas e autobiográficas, abordadas sob três enfoques: enquanto disposição humana para narrar a vida, como método de pesquisa qualitativa e como dispositivos de pesquisa-formação.

O XI CIPA se realizará na Universidade Federal de Minas Gerais, de 21 a 24 de setembro de 2026. E a exemplo das edições anteriores, o Congresso se propõe a reunir pesquisadores universitários de diferentes países, pós-graduandos, graduandos, professores, membros de associações científicas nacionais e internacionais, com vistas a debater avanços   teórico-metodológicos, difundir a produção científica, intercambiar práticas de formação e modos de articulação entre diversas áreas do conhecimento, que investigam o humano, com base em narrativas da experiência vivida.

A escolha da temática – Epistemologias do singular-plural: o campo (auto)biográfico no antropoceno dá sequência à tradição do Congresso de propor debates vinculados a questões sociais prementes no cenário contemporâneo nacional e mundial, notadamente no que se refere as ações humanas na Terra, bem como as crises planetárias ambientais, sanitárias e econômicas, mas também os processos migratórios, a reconfiguração geopolítica mundial e outras narrativas que se impõem e os impactos sobre modos outros de vida. O tema traz reflexões de como o campo da pesquisa (auto)biográfica seja uma saída possível diante daquilo que se nos afigura como uma aporia, qual seja, o exercício de propor uma conexão com os sujeitos, com suas comunidades, de fazer aflorar percepções sobre o mundo a partir de contextos menores, de pequenos números e poder perceber como este mundo que se anuncia em decomposição é o mundo do desenvolvimento, da escala, do produtivismo, mas que outro, marcado por diferentes modos de viver pode encontrar formas de sobrevivência, como já o fizeram todos os povos que tiveram seus mundos devastados nos últimos séculos. E há valor também, evidente, que é a possibilidade de a pesquisa ouvir outras vozes, quem sabe aquelas interessadas em apresentar alternativas às totalizações modernas, ouvir daqueles querem defender sua terra “porque desejam continuar vivendo nela como antigamente”.

A expectativa é que o XI CIPA continue a contribuir para a ciências, refletindo sobre os usos de tecnologias educativas, dos limites da democracia, das ações humanas no planeta, das consequências da pandemia e de inovação, permitindo o fortalecimento do diálogo entre redes nacionais e internacionais de pesquisa, a ampliação de interfaces geradoras de conhecimentos entre a Educação e as demais Ciências Humanas, Sociais e de Saúde, que se preocupam com as relações do indivíduo com os processos de aprendizagem, de mobilidades, de socialização, formação/profissionalização, inclusão/exclusão social, envelhecimento, adoecimento e suas formas de acompanhamento, cuidado, nas mais distintas situações existenciais.

Nesta décima primeira edição do Congresso, o XI CIPA busca problematizar questões sobre um dos temas mais urgentes do nosso tempo: o Antropoceno e suas variações críticas — Capitaloceno, Plantationceno, Chthuluceno. Tais conceitos emergem como tentativas de nomear o esgotamento do mundo tal como o conhecemos. Um mundo em que o consumo desenfreado, a devastação ambiental e o extermínio sistemático das diferenças culturais, sociais e étnicas revelam a face trágica de um sistema que transforma a vida em mercadoria. Os sinais do colapso já não pertencem apenas ao domínio da ficção científica: eles se manifestam cotidianamente em nossos corpos, territórios e modos de vida, sobretudo no Sul Global, onde a luta não é apenas por nomear a falência da modernidade, mas por adiar o fim do mundo.